Sentado em uma mureta, ele observava o movimento das pessoas atentamente. Muitos falavam e riam alto. Apenas ele estava em silêncio. Ainda assim, ele fazia parte da alegria que era partilhada entre tantos amigos. Seus olhos pareciam sérios. Sua boca se repuxava em sorrisos ocasionais. A tarde fora quente, mas o crepúsculo anunciava uma pequena trégua no calor. Ninguém mais sentia vontade de voltar à piscina que ainda estava lá, acolhedoramente fresca.
Ela era uma das pessoas cansadas de água.
Ele era quem observava, embora ninguém notasse isso.
Com um sorriso encantador, a garota fora recebida por seus amigos. Ela, já havia notado a presença do rapaz silencioso, mas não fez nada além de uma nota mental. Logo se esquecera de muitas coisas, mergulhando, então na conversa animada e juvenil de seus amigos.
Muitos chegavam para falar com o rapaz. Sem perceber, ele acabou se juntando ao burburinho que se concentrava ao redor de todos, inclusive da garota.
Os minutos passaram, o dia dera mais alguns passos em direção aos braços da lua, quando a garota e o rapaz começaram a conversar. Foi natural, como toda nova amizade deve ser.
Ele falou. Ela falou. Ambos escutaram. Houve observações, quês e interrogações.
O tempo passou. Como um bebê engatinhando, dando um passo pequeno.
Pouco se conhece de alguém num tempo limitado. Conhecer é sempre um desafio, porque não entendemos bem o que poderemos encontrar. Degraus são construídos com suor e dor, mas ninguém compreende isso bem.
Dias são curtos e meses passam voando. Não sabemos de muitas coisas.
E aquele dia quente, de uma primavera incompleta anunciava o início de um diálogo, de uma lua cheia, de um crescimento futuro. Ele voltou a ficar em silêncio. Ela voltou a temer muitas coisas, absorta como sempre.
E o que cresceu dali?
O tempo seria o melhor aliado para decidir.
Sophia V.
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