segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Proseando com a poesia


Num dia desses estive pensando sobre o tempo (convenhamos que é um tema relativamente vago), quando me deparei com a janela de meu quarto.
Era tarde -provavelmente umas 16hrs - e o clima estava frio. Nisto percebi que as horas ou o clima não fazem parte do tempo, mas sim, o que pensamos deles que os tornam o chronos.
Observando a cronologia, pensei em compor melodias.
Mas, não sou música. Sou poetisa. Artista proseadora de versos.
Cá com meus botões pensei em significados técnicos, como verossimilhanças, Letras (o curso universitário mesmo), catarses, identidades.... e poemas.
Dizer que a vida é a mais bela poesia seria o clichê dos clichês. Tanto que fico com o nariz torcido, só de escrever isto.
Se a vida é poesia, digo então que ela é dor. Qual poeta nunca sentiu aquele "mover de mundo", que angustia e repuxa para o mais agourento dos sentimentos?
A verossimilhança está aí; é quase impossível excluí-la... A não ser, claro, que você prefira viver como um "vaso chinês parnasiano" (com todo respeito a Alberto de Oliveira).
O tempo não define quem somos. O meio, também não.
O que define, molda, move e se metamorfoseia somos nós, mentes pensantes.
Tudo é flexível em nossas mãos.
Até mesmo as palavras.
E essas palavras, que rondam dia e noite meu peito murcho que compõe o que acredito que sou: poetisa.
Mas...Onde está o poeta sem suas prosas?
Simples.
Conversando com a poesia.

Sophia V.

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