No cinza mudo, que nada vê, sinto o nu de uma sala cheia.
No azul céu, encoberto por suas lágrimas, o nu de clarezas.
Na timidez corada, do amor juvenil, o nu de um desejo inconsumado.
De que adianta nos vestirmos tanto se, no final, acabamos desnudos? Nos despimos para nos lavar, amar e nascer. Nos cobrimos para que ninguém nos veja assim, indefesos, nus, expostos ou ridículos.
Nos protegemos para, então assumirmos que, debaixo de tantos panos e máscaras íntimas somos nus.
Nos protegemos para, então assumirmos que, debaixo de tantos panos e máscaras íntimas somos nus.
O único nu belo é do céu que, sem nuvens, rompe airosa o horizonte que tanto perseguimos.
E enquanto caminhamos no mundo, nos despimos de nós mesmos para nos encontrarmos. E, quando nos encontramos, achamos quem sempre procuramos para nos doarmos, nos despirmos ainda mais.
Porque quando estamos cheios, em nós não cabe coisa alguma a não ser o que já carregamos.
Sophia
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