
Existe um som mudo que paira sobre minha casa. Um som silábico, simples em sua complexidade inaparente. Canto essa melodia para você, para mim, para ele.
Notas florais, adornadas com o sol furta-cor da poesia.
É a poesia que canta, e aparece nas coisas mais inusitadas de minha vida. A poesia de todo instante, todo momento, que penso, crio, escrevo ou esqueço.
As letras e suas palavras fazem parte de mim. Meu coração datilografado, repassa o tempo todo novas combinações de metáforas, figuras e afins para que eu transpareça cada poesia de palavra num olhar.
Não é a poesia que me motiva a tudo. É o tudo que move minha poesia. Ou, simplesmente, move-me a viver feliz com o dom que Deus me deu.
Agora, estão algumas dúvidas.... São tantas palavras que não sei, muitas vezes, a ordem correta de cada uma delas. São nesses momentos que me pego frete ao notebook ou caderno a bater o lápis. Que escrevo agora?
Seria falta de inspiração?
Não.
Poetas não vivem de inspirações, pois elas são instáveis, altamente dramáticas, pouco coerentes e, principalmente, amadoras da arte fugaz. As palavras nos ensinam o contrário (ou não). Ao menos, tenho aprendido a fazer das aves no céu, do borbulhar de uma sopa, dos aromas multicores de uma lar, de um dente quebrado, de um sorriso, amargura, nojo ou certeza... tenho aprendido a fazer de cada uma dessas coisas um novo poema.
Poemas que se prezem não transcrevem obviedades. Poemas que se amam transcrevem todas as obviedades que já sentimos, iremos sentir ou vivenciamos no presente.
O que quero dizer, caro leitor, é que as palavras não são presas a padrões, cores, formas ou alegorias. Não são presas a nada. Nem são infinitas.
Poemas mostram uma pequena parte do infinito de uma mente humana.
Por isso, pego-me assim, a ter dúvidas e inseguranças sobre a próxima linha a ser escrita.
Mas, cá entre nós, alegria mesmo é viver em prosa de poesia.
Sophia
Sophia
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