quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Anonimato




Queria poder dizer anonimamente o quanto você tem me feito falta. Mas, certas coisas são incompreensíveis.
Do que adianta respirar céu se ele é tão distante do mar?
Todos os dias o suspirar acompanha os pulmões de quem não se aceita.
Mas, este aceitar é fútil, inútil.
Sabe disso.
A insistência em acreditar numa mentira é tolice. Então, porque soluções falsas apresentam-se tão doces?
É fácil dizer que amanhã será melhor todos os dias. Mas, quando o amanhã vai chegar de fato, é uma dúvida que permeia o coração.
Ter e não poder ter é a maior tortura que alguém já pôde passar.
O puro se torna estorvo profano, e o coração abandona as esperanças de dias melhores.
Eu e você aqui neste quarto finito, com amor pausado infinitamente em olhares amigos. Tudo é tão sem sentido que o natural dá lugar a uma culpa infundada.
Culpa de quê?
Agora, os objetivos passaram a divergir na fina camada dos sonhos, convergindo-se em praticidade temporal. Faça isso ou aquilo e rapidamente terá. Teremos. Terei.
Amar é tão simples e bom, faz bem a alma, mas dilacera o corpo.
Negar-se diariamente é a tarefa mais árdua destinada a mim. Sinto como se meus membros fossem tolidos violentamente no surdo silêncio da despedida.
Vira-se para não encarar a angústia de frente, mas, ainda assim, ela se apodera das lágrimas secas da pele rosada. Cuidado, as paredes machucam, tremem e rangem, e nunca trarão o conforto esperado.
São as expectativas que corroem os ossos? Ou seriam as palavras não proferidas?
Diga-me, pois o sentimento de ambas é tão próximo, tão íntimo, que me torno incapaz de diferenciar.
Anonimamente gostaria de entrar em seu coração, para encontrar meu lugar no meio de tanto tumulto.
Tanto barulho.
O silêncio encobre os maiores gritos; o contrário é mentira vã. Eterna.
As raízes que se fincam dia-a-dia no peito consomem a alma com a culpa do efêmero. Há algo que nem o maior dos maiores na terra pode suprir. Algo que não se pode dizer.
Tudo porque foi plantada a semente errada, na hora errada.
Olho para o teto que impede o brilho dos céus sobre mim. Despeço-me como num lamento mudo cujos olhos somente eu posso ver.
-Boa noite, eu te amo.

Sophia Valentina



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