domingo, 8 de abril de 2012

Sete mares


Cale-se e preste atenção naquilo que o coração medita através dos lábios. Onde está teu segredo?
Guardado no âmago mais profundo de meu espírito.
A mente vagueia pela inércia do inexistente. Obscurece-se por achar que ama. Ama por achar que não odeia. Chora por guardar tudo tão bem, para seu próprio mal.
Os antônimos da beleza residem na passividade dos pensamentos nus. Como ervas daninhas, esquecemos o quanto é bom ser imperfeito. O quanto é natural deixar-se levar quando o céu está azul.
Não existe!
Gritou.
Não existe!
Gritou.

Mas, o que é real?
Seria a pele irregular da morena clara rebelde? Ou o sorriso tão tenro dos olhos negros?
Não se preocupe, sou especialista na morte. Trago-a para mim quando você não suportar mais minha voz, cor e religião.
Consumo ossos, alegrias. Sou o engano.
Urre o mais alto que puder, e tudo será distorcido.

Costumam dizer a boa verdade: somente a palavra branda aplaca o furor.

Esqueça.
Olhe para o alto.
Para dentro de si.
Lembre-se do sacrifício, da vitória.
E a dor não fará sentido.

Escute com amor.
Guarde as Palavras no coração.
Arrebate-se do mundo e o teu tesouro será maior que os mares.
E a tua boca proferirá esperança.

Entregue o fel e o sangue de suas cicatrizes ao esquecimento
E verás o sol nascer depois de longa noite

Valentina

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