quinta-feira, 7 de julho de 2011

Russo




Quando era pequenininha, morava numa cidadezinha no interior que tinha invernos bem rigorosos (à Brasil). Em minhas poucas recordações, lembro-me bem do Russo que caía de manhã bem cedinho, do sereno que meus pais viviam mandando eu evitar...
Aliás, sempre me perguntava onde estava o tal do Sereno porque eu não conseguia ver. E quando perguntava: ''Mas o que que é sereno?'', sempre escutava ''é essa friagem que vem do céu''.
Então eu ficava imaginando várias coisas... um vento fantástico que pensava como gente e vinha de longe só pra me deixar resfriada. Ficava pensando quais eram suas feições... Seu jeito... Enfim, sua pessoa.
Mas, o Russo... Ah, desde sempre ele me causa encanto!
Russo, o apelido fofo para neblina, era meu favorito: deixava eu escrever nos vidros do carro, ajudava a gente fazer fumacinha pela boca em dias muito frios, deixava o nascer do sol tão bonito, sereno e... frágil. Frágil como eu era, menininha.

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