quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Nostalgia




Nunca estive tão longe de casa, de minha família. Estou feliz por viajar -coisa que amo- e conhecer um lugar peculiar, tão carregado de história.
Vi o rio, pedaço de fotografias e me encantei. Belo, forte e distante. Fiquei inebriada.
Vi prédios, muitos deles, com pegadas supostas, invisíveis.
Deixamos de contar muitas coisas, simplesmente porque elas são banais demais. E, apesar de estar numa casa nova, ao adentrar seus portões, fui convidada ao desconhecido ocorrido. Uma vida inteira com seus contos, raízes e bifurcações, ali, pairavam na respiração.
As paredes pareceram confidenciar contos de verões, enquanto o ar cheirava a nostalgia.
Sempre me deparo com o pretérito, porém, nunca compreendi os motivos dele me cativar.
Em um lugar, memórias assustadas procuravam se esconder atrás de meus passos, sabendo que eu não as veria bem, pois meus olhos possuem traves de emoções.
Entorpecida, detive-me ao passado presente, refletindo sobre ruas, pobreza e casas. Nessas esquinas, calçadas e alamedas, tão estranhas, a história de quem mais conheço se desembaraçou.
É cruel pensar no que não existe, mas, insistimos em chorar por nossos mortos. Se o passado não existe, mostre-me o elo perdido entre o real e a memória.
Em uma terra, memórias assustadas olhavam-me entre os umbrais, temendo que eu não aceitasse a verdade óbvia que elas tanto insistiam em dizer: a nostalgia era minha.

Sophia Valentina

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