quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Vertentes -- 2009





Estou procurando um sentimento de mundo para poder chamar de meu.
Estou pensando se a poesia pode ramificar e se tornar um todo.
Tenho os serás dignos de grandes dúvidas, mas de que valem se são tão silenciosas em si? Valem muito para meu universo. Tudo é imaginário.
 As pessoas de hoje são capazes de se cansar facilmente, assim como as de antigamente. São capazes de mudar, de serem tradicionais ou a frente de seu tempo. As obviedades da vida tornam todos mais ricos, pois tentamos fugir do que é superficial...eu ao menos espero.
A plastificação em massa de idéias apenas começou.
Veja, o mais belo da forma física é sua originalidade: o cabelo solto, o nu do corpo, as celulites de mulheres cheias de curvas e as estrias das barrigas de mamães. A barriguinha que todo homem tem, os pêlos, os traços ligeiramente desproporcionais. Quando você abraça quem se ama, sente a pele, não suas imperfeições. Num sorriso, observamos sua autenticidade, não suas formas. E dos olhos, as formas que se movimentam dentro desta janela sob o céu. O que mais me chateia é ver que o dinheiro levou as pessoas a esquecerem da verdadeira beleza.
Quando mesmo que uma mulher de cabelos rebeldes se tornou feia?
Estou falando sobre futilidades.
Livros são tão bonitos quanto os rabiscos de uma criança. Mas, infelizmente, enxergamos apenas as ondas, não o mar.
Lembramos o tempo todo do nosso direito de expressão que esquecemos o nosso direito de sermos discretos. O desrespeito se tornou um novo acessório de voz, que cantarolamos praticamente o tempo todo. A verdadeira crítica é um degrau que leva o outro a crescer ao invés de sucumbir. Se não tenho nada de bom a comentar, se achei tudo tão horrível, porque eu vou expor minha opinião machucando o outro? Todas as escolhas são válidas. Desde que eu não interfira na do outro.
Ah, as palavras são tão poderosas... delas podemos ver o sol deitar, ou uma chuva romper do mar. Jesus foi sábio ao dizer que quem planta vento colhe tempestade.
Quantas vezes paramos para pensar que uma única mente é tão infinita quanto à alma que se movimenta no seu espírito, que é você? Quantas vezes você se deparou com montas e vales rochosos? Ou pradarias aprazíveis?
Toda pessoa pode ser um oásis de descanso, mas nem toda pessoa pode ser quem você sempre procurou.
Hoje, coloquei minhas lentes do amor e saí a passear. Percebi, então, que todos podem ser maiores do que eu, mas isso não me torna o menor dos homens. O mais lindo na justiça de Deus é a igualdade.
Em todo o tempo fiquei lembrando do amor, que está comigo o tempo todo e me deixa saudades. Poderíamos ser mais íntimos. Eu queria ser como ele quando crescesse. Acreditei nisso até eu crescer. E mudei de idéia, fiquei longe de sua furta-cor. Assim percebi que passarei todos meus anos crescendo. Fiquei alegre e repito: quero ser como o amor quando eu diminuir, tornar-me um ser humano simples, de gestos sinceros, palavra doce. Quando o tempo não se importar mais comigo e me deixar por aí para navegar no fundo dos oceanos e então enxergar o mundo de baixo. Quando eu encontrar a origem das vertentes, onde começou o primeiro passo, ou quando souber o que é o último caminhar... Talvez aí eu seja como o amor.
São nos caminhos que percorremos que descobrimos como nos conhecer.
O que fascina no eterno é sua capacidade de ser incontável. Se disserem: é eterno, sairei correndo atrás para contá-lo. Aí então decidirei se o tornarei intrínseco ao meu infinito finito sou.
O texto de 2ª pessoa deu lugar a 1ª pessoa que o criou. Assim algumas risadas são tiradas do humor inteligível.
A grande pergunta para a segunda pessoa é se ela consegue ver o que está entre as paredes deste labirinto. As pistas estão expostas, acredite, mas não são ondas... são o mar.
Falamos do terceiro e esquecemos que o somos para o primeiro. Isso falei a pouco. Ramificar em pensamentos é uma habilidade. Escrever poesias também. O verdadeiro dom está em mergulhar no céu do que se adora fazer. Difícil? Talvez. Cada um escreve seu próprio destino.
O mais valioso de um sonho são suas asas.
Quero ser tantas coisas quando enfim puder ser... O sonho, a alegria, a perseverança. Mas, principalmente, o amor. Precisa-se de combustível para fazer o barco andar.
Estou falando sobre caminhos.
Escolhas.
Escolha.
Só o vento move-se. Ambíguo o só fica quando se compara as interpretações do poema.
Minha prosa são versos. Meus versos não são meus pedaços. São o todo e o nada. São aquilo que decidirem ser. Até encontrarem olhos, os olhos que o entendam a sua maneira.
Entenda a sua maneira.
São filosofias, não verdades absolutas.
Porque apenas uma coisa é absoluta: a verdadeira verdade.
Quanto tempo gastamos para encontrá-la? Eu a encontrei e não me envergonho. Este é meu universo. Deus, família, amor, paz, amigos, Deus, paz, amor, amor, amar mar, mar.
Assim fico a mais um centímetro do céu. Mais um segundo esquecida pelo tempo.
E mais próxima a sua mente.

Abi Agnes 



Texto escrito em 2009. Achei interessante postá-lo aqui, apesar de não ser o meu favorito.
Obrigada por ler :)



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